sábado, 5 de junho de 2010

DOR NO CORAÇÃO NA CRIANÇA

A principal causa que leva os Pais a uma consulta de cardiologia pediátrica, é o facto de o médico assistente dizer que a criança tem um sopro.
Logo a seguir são as dores no peito, a “dor no coração”.

No peito há muita coisa que pode doer, mas o coração é quase sempre o culpado...
Em geral trata-se de um rapaz, pré-adolescente magro, desportista e saudável, bom aluno e um pouco ansioso. A dor é real, aguda, tipo pontada, localizada ao centro do peito, sobre o esterno. É uma dor moderada e que muitas vezes dificulta a inspiração, daí que também é referida “falta de ar”. Costuma durar poucos minutos e depressa passa, assim como veio. Não costuma haver alterações do ritmo cardíaco, a não ser alguma taquicardia, porque a criança se assusta e fica ansiosa. A dor pode surgir quer durante o exercício físico, quer em repouso.

Esta dor é musculo-esquelética e tem origem nas articulações entre o esterno e as costelas.
O exercício físico intenso, como nadar, andar de bicicleta, ou outros (mochilas...), podem causar este tipo de dor. Os defeitos de posição, como sentar-se mal, dormir em más posições, podem facilitar esta dor.
Esta é a “dor no coração” de longe a mais frequente. Uma vez que a criança toma consciência da realidade, aprende a lidar com esta dor, deixa de se assustar, e a sua vida continua... Mas se quiser, tem aqui um bom  motivo que pode render algumas contra-partidas...
Por vezes as articulações em causa podem mesmo inflamar e levar a uma dor recorrente, podendo haver necessidade de tratamento com anti-inflamatórios.

Mas no peito há mais coisas que podem doer; felizmente são muito mais raras.
A pele pode doer, mas na criança costuma ver-se a lesão que causa a dor.
Os musculos podem doer, sobretudo se pouco treinados e sujeitos a um esforço excessivo.
Dentro do peito há dois sacos membranosos que podem doer: um que envolve os pulmões, a pleura, e outro que envolve o coração, o pericárdio.
São compostos por duas camadas, entre as quais existe um pouco de líquido lubrificante, para evitar que estes órgãos se magoem, pois estão permanentemente em movimento.
A pleura pode doer, mas em geral isto acontece num contexto infeccioso pulmonar, com febre, tosse e dificuldade em respirar. As pneumonias são a causa mais frequente deste tipo de dor, mais frequente à direita.
O pericardio quando inflamado, por certas doenças em geral virais, também doi, uma dor compressiva e constante, que não passa facilmente.

O coração doi, em particular o músculo cardíaco.
Os adultos que tiveram enfarte ou angina de peito, sabem como essa dor é forte e angustiante.
Em geral existem problemas com as artérias coronárias, que irrigam e alimentam o coração, que, ao entupirem, fazem sofrer o musculo cardíaco. A idade, certas doenças (diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial) e outros factores, em particular o tabaco, são os principais agentes.
Na criança estes factores não existem, no entanto há situações raríssimas que podem fazer doer o coração nos mais jovens. São anomalias congénitas das artérias coronárias. A dor aparece sempre e só no esforço físico, tipicamente, ou no bebé que chora, fica pálido e suado sempre que chupa o biberon, ou no adolescente que tem dor forte no peito, por vezes com arritmia cardíaca, quando pratica desporto. Estas situações são muito raras, mas sérias e exigem uma abordagem cuidada.

O aparelho digestivo também pode simular dor no peito, mas em geral as esofagites, hernias do hiato dão mais dor nas costas. Muito ar no colon ou no estômago, pode dar desconforto na parte inferior do peito.

Falámos de dor no peito em crianças saudáveis.
Há crianças com doenças crónicas, quer generalizadas, quer localizadas ao próprio coração ou aos pulmões, que podem ter dôr no peito. Estas situações, uma vez identificadas, são discutidas com o médico assistente e os Pais, que ficam assim mais esclarecidos das complicações que a doença do seu filho pode dar.

Concluindo:
A dor no peito, de longe a mais frequente, é uma dor tipo musculo esquelética, benigna, cujo tratamento principal consiste em acalmar e dar segurança à criança, ensinando-a a lidar com esse tipo de dor. Dê-se-lhe atenção, mesmo ( ou sobretudo...) sendo só isso o que ele quer.
Isto também dá uma certa segurança aos Pais. Não cabe aqui aos Pais lembrarem-se dos seus Pais, que faleceram por causa do coração.
Quase de certeza não é isso que se passa com os seus filhos, enquanto não forem avós...
Fica um “quase” que compete ao médico assistente resolver como abordar, se o estudo passa pelo cardiologista pediátrico ou não.
Não devem ser os Pais a decidir isso e a levar logo a criança “com dor no coração” ao cardiologista pediátrico, ou mesmo às urgências.
A criança tem um médico que a conhece, e deve ser ele a decidir o que fazer e como fazer.
Há tempo para resolver as coisas da melhor maneira ... 

5 comentários:

  1. Al leer su articulo , me vi plenamente reflejada, pues como dice al inicio "é o facto do medico assistente dizer que a criança tem um sopro.."..; En mi caso de hecho existe el tal soplo, si es verdad que despues de haber visto a mi hija y de decir que no era nada de grave, sali de su consulta mucho mas aliviada.
    Creo que este, tan interesante, articulo, deberia de ser leido por tanto " medico assistente" , y reflexionar sobre la formacion , a todos los niveles, que tienen o suponen tener. Gracias Dr.Macedo

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  2. minha filha de 9 anos sente dor no peito de vez em quando, eu a levei no medico e disse que não era nada ,que era só uma dor muscular.
    mais ela não ficou boa , e agora essa dor vem com vomito e eu não sei o que fazer,fico muito preocupada, pois não sei do que se trata.
    preciso de ajuda.

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  3. Meu filho de 10 anos sente de vez em quando, a noite,na hora de dormir um choque no torax no lado esquerdo,que dura uns segundos ,o que pode ser?Costumava sentir uma caimbra muito forte na mão e ela ficava alguns minutos dura,ele sentia dor,mas nunca mais sentiu isso,mas esse choque no peito acontece esporadicamente sempre no hr em que lel está indo dormir..Será que tem a ver com o fato dele estar com o colesterol muito alto já há 3 anos?

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    1. Provavelmente tem a ver com a parte músculo-esquelética, a posição na cama, e talvez o facto de ficar só à noite ...
      Não tem a ver com o coração, seguramente, nem com o colesterol alto, como diz, mas este aspecto pode vir a ter importância daqui a uns anos, e tem que ser controlado, não é?
      O Pediatra decidirá o que melhor fazer.
      Obrigado pelo comentário!

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  4. Olá tenho uma filha de 8 anos e ela vem sentindo dor no peito há um.mês .bem no meio direção ao osso esterno.o que pode ser.
    Obrigada

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